03.10.2026 | 17.01.2027
diogo evangelista, max bill: luminare
Luminare reúne obras de Diogo Evangelista e Max Bill (1908-1994), estabelecendo um diálogo em torno das ambições utópicas que marcaram o modernismo do século XX.
Na génese do projeto encontram-se as litografias da série 16 Constellations, de Max Bill: um portefólio publicado em 1974, cujo título evoca, desde logo, uma dimensão cosmológica. A estas obras, Diogo Evangelista responde com Astra, um conjunto inédito de luminárias situado entre o objeto utilitário e a escultura. Esta ambiguidade convoca a Bauhaus, onde Bill se formou.
Para além das evidentes afinidades formais, revelam-se outras sobreposições e investigações dissonantes. Enquanto Bill operava dentro de uma estrutura rigorosa de diretrizes para se relacionar com o fenomenológico, apreendendo o mundo através de regras matematicamente puras e interligadas, Evangelista relaciona-se mais frequentemente com o sobrenatural e o metafísico, com igual exatidão.
Este encontro transforma o consultório num espaço intersticial, onde a cor e a radiação eletromagnética intensificam a perceção do espectador, conduzindo-a a um estado meditativo. As leis universais invisíveis tornam-se impressão sensorial através de uma tridimensionalidade imaterial, da reflexão da luz e de linhas entrecruzadas. Nesta interação, Evangelista aprofunda o interesse de Bill pela perceção sensorial.
Assim, a exposição pode ser entendida como uma expansão tecnológica direta e uma consequência lógica da investigação fenomenológica de Bill, bem como das ambições utópicas a que o modernismo do século XX deu origem.
Astra, de Diogo Evangelista, é uma edição de exemplares únicos editada pela Esculápio e a primeira a ser integrada na exposição que a originou.
In Luminare Diogo Evangelista dialogues with Swiss modernist, architect, designer and concrete artist Max Bill (1908-94). The genesis for this project lies in the immediate formal similarities between specific series of works within both artist’s practices.
But beyond the obvious affinities, there are other overlapping, as well as dissonant pursuits. While Bill, a former Bauhaus student, worked within a rigid frame of guidelines to engage with the phenomenological, perceiving the world through mathematically pure, interconnected rules, Evangelista more often engages with the otherworldly and the metaphysical with equal exactitude.
On display is a light sculpture by Evangelista titled Luminária and … lithographs selected from Bill’s 16 Constellations – a portfolio published in 1974 whose title carries in itself cosmological connotations – turns Consultório into an interstitial space where vivid color and electromagnetic radiation heighten the viewer’s perception into a meditative state and make the invisible universal laws into sensory awareness through immaterial three dimensionality, light reflection and intersecting lines. Evangelista further elaborates on Bill’s interest in sensory perception with this interplay.
Thus, Evangelista’s installation can be seen as a direct technological expansion and logical consequence of Bill’s phenomenological research and the utopian ambitions 20th century modernism gave rise to.
Both a sculpture and an everyday light fixture, in line with Bauhaus’ utilitarian ethos, Evangelista’s Luminária is also the first edition that is both published by Esculápio and integrated into the exhibition that spawned it.